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knk Sex, 2 de Fevereiro de 2018 16:53

Esforço vs. Performance
 
Antes de mais, entenda-se por "baterista rock" aquele que emprega velocidade e força na execução. Associo esta expressão à malta desde o Metal ao Forró brasileiro (cuja performance ao vivo se assemelha muito a uma de um baterista de rock convencional).

Agora que nos entendemos...

Diz um estudo americano que um baterista "rock" para tocar um concerto de 2 horas com força e velocidade na execução precisa de ter a mesma capacidade toraxica e cardíaca de um jogador de Futebol Americano.
Talvez...
Recentemente vi um video do JP Bouvet, que considero um dos bons da nova geração, e apesar da enorme experiência ao vivo como freelancer, inclusive a substituir o incrível Matt Garstka nos Animal as Leaders, ou a tocar com Steve Vai, Bettencourt, Satriani e companhia, foi "desenrascar" uma banda de Metal - americana, julgo - num Festival com milhares de pessoas a assistir e uma das conclusões que ele tirou, bem que me identifico com ela, foi algo como: "ter milhares de pessoas a assistir, deixei-me contagiar pela adrenalina do concerto e quem pagou, acima de tudo, foi o pedal duplo, tenho de me concentrar em melhorar isto".
É mesmo verdade.
Em ambiente de ensaio um gajo julga que toca com força. Chega a um bar e toca 3 horas sem problemas, MAS, existem aqueles concertos em que um gajo está num ambiente espectacular, centenas ou milhares de pessoas à frente, ouves o público a puxar pela banda e arrancas a 200 km/h.
Escusado será dizer que ao fim de 6 musicas estás a sentir um cansaço anormal, e ao fim de 1h30 começam as cãibras. Para não falar na técnica que é afectada desde a 3ª ou 4ª musica e progressivamente até ao final.
Já vi bons bateristas a "espalharem-se" ao vivo e passarem por bateristas perfeitamente "banais" só porque se deixaram contagiar pela adrenalina.

Para os bateristas com menos palcos pisados, tenham em atenção:
- Toquem mais com pulso e menos com braço.
- Treinem a respiração calma (in: nariz, out: boca) com metrónomo a tocar rápido e com força, é a melhor maneira de evitar flutuações de tempo e cãibras.
- Se vão tocar num ambiente em que sabem que vão sentir aquela pica ou porque está muita gente, ou simplesmente porque se sentem motivados, não espacem muito o kit. Mantenham os pratos e toms perto e não muito elevados.
- Se se sentirem cansados: mantenham a postura, costas direitas e evitem cruzar membros - ou seja, evitem que o braço esquerdo cruze a metade direita do vosso corpo e vice-versa. Mantenham cada membro do seu lado natural para evitar desgaste excessivo.
- Se sofrerem muito de sintomas físicos a tocar ao vivo: façam treinos de endurance, corrida com rotação de braços, e muitos alongamentos.
- Antes de tocar, façam um pequeno aquecimento, como o que se fazia nas aulas de ginástica da escola: fechar as mãos dadas em concha e rodar; pôr a ponta de cada pé e rodar no chão; pôr uma mão sobre o joelho e puxar ao máximo até ao peito. Conseguem fazer isto sem dar nas vistas até sentados. Mas façam!

Alguns handicaps dos bateristas, que conseguem transformar um bom em banal os olhos do publico:
- flutuações de tempo (má prática de metrónomo ou excesso de esforço)
- demasiada força provoca falhas graves de técnica (quando não existe muito trabalho de casa para evitar que aconteça)
- muletas (fazer sempre os mesmos breaks ou estar constantemente a bater nos crashes a cada compasso)
- ter uma banda ruim (aí não há quem ajude... :) )


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