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Bandas e Música em geral Aqui fala-se da música e das suas tendências, das bandas e dos seus músicos, bem como dos álbuns (CDs e CVDs de música não considerados como didácticos ou de aprendizagem de bateria).


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Não lido Sex, 26 de Dezembro de 2014   #1
knk
 
Membro desde: 30-Mai-2006
Local: Santarém
Mensagens: 176
knk será famoso em breveknk será famoso em breve
Compor, ensaiar, tocar, gravar, interpretar... que ordem?

Ultimamente tenho pensado neste assunto...

Nos primórdios da música contemporânea, interessava os intérpretes/músicos levarem à letra aquilo que estava escrito pelo compositor. Haviam poucos gajos a compor, é certo. Mas a liberdade criativa era exercida ao nível individual e não colectivo. Pelo menos não conheço nenhuma obra de "Mozart & Friends".

Quando chegamos à era do Jazz e do Rock já no século XX, tinhamos mentores/compositores, ou aqueles que agora chamamos de diretores musicais, que lideravam os grupos, mas o objectivo era a banda compor e tocar o melhor possível para transpor essa execução num álbum e ao vivo.
Ou seja, o que quero dizer é que se trabalhava na sala de ensaios cada tema com todas as suas dinâmicas, intenções e execuções, porque aquilo que se ouvia ali era o que se pretendia captar num disco e fazer soar num PA.
A esmagadora maioria dos músicos tinha plena consciência daquilo que executava e a intenção com que o fazia porque normalmente até tinha sido ele a compor aquela linha musical/letra.
As gravações eram, na sua maioria, em simultâneo e em formato "ao vivo", logo a música tinha de sair da sala de ensaios como um produto final já com pré-mistura. Os sons das guitarras tinham de estar no ponto. As baterias afinadas. Os saxos com as boquilhas adequadas. O amp do baixo tinha de ter «aquele» range de frequências específico. Tudo isto como exemplo para que numa gravação linear, o produto trabalhado estivesse LÁ... no ponto.

Quando comecei a tocar, juntava-me com malta na sala de ensaios. Trabalhávamos originais para que a sonoridade fosse adequada, como quem diz, para que as pessoas ouvissem aquilo da forma que nós queríamos que ouvissem.

Agora, noto as bandas a caminharem no sentido da tecnologia.
Primeiro compõe-se. Depois logo se vê.
A maioria das bandas tem um ou dois carolas que fazem as músicas. As baterias são programadas em MIDI. Os baixos são ligados diretos ao interface do PC e depois logo se vê. As guitarras passam por processadores digitais, ou por software. As vozes ficam para o fim...
VST's sobre VST's, o trabalho que antes era da banda é agora do "técnico" que grava, mistura, escolhe o que acentuar, o que baixar, onde meter mais efeitos na voz, onde a guitarra soar mais alto, ou seja, está a fazer o papel de um produtor.
Esse produtor, para mim, deveria ser um conselheiro da banda que vai a meia dúzia de ensaios para conhecer a banda, a sua música, a sua sonoridade, e consegue em estúdio fazer sobressair o que de melhor há em cada tema. Puxando uns cordelhinhos aqui e ali, vai limando o produto.
Esse produtor (muitas vezes na pele do «técnico» do estúdio) não deveria definir a sonoridade da banda, como acontece.

O que sucede depois é uma coisa esquisita (nos dias de hoje)...
Com a massificação dos sistemas de gravação para qualquer bolso, e a quantidade de «musicos» que por aí andam, cai-se no imediatismo.
As bandas têm temas gravados. Têm de reaprender a tocá-los, ou pelo menos a imitar aquilo que ficou no CD - de forma mecânica, muitas vezes - e perde-se o feeling original, se é que alguma vez houve.
Ao vivo, onde realmente se vê o que a banda vale. A coisa cai, na maioria das vezes por terra.

Digo isto por vários motivos:
- Já alguém foi recentemente a um festival de bandas? Sim, praticamente todos têm demos na net, alguns até dizem que andam em digressão dos seus «CD's». Se os ouvirmos nos Faces, Youtubes e RevNations (há uns anos Myspaces), a maioria até soa bem! A coisa está bem feitinha na gravação... podemos notar baterias mecanizadas em loops e sem dinâmicas, sons de guitarras extremamente digitais e uma falta de produção competente em termos de «finalização» de um trabalho que aspira a ser «final». Mas muitas vezes até soa bem.
Já ao vivo... credo... 90% soa mesmo àquilo que chamamos de «banda de garagem». Não bate certo com aquilo que é a gravação.

Um bocado naquela ótica da fotografia (hoje em dia). Como qualquer pessoa tem uma maquineta e tira uma fotos. Juntemos-lhe um photoshop pirateado e a coisa parece profissional.
Mas... e a sensibilidade? E a capacidade de captar a fotografia já como resultado final, como a imaginamos. Com aquele enquadramento, aquela luminosidade, aquele efeito de lente... em suma, aquele sentimento?

O músico é um veículo. O compositor é um artista. Um músico que compõe e interpreta transporta sentimentos em todas as direcções.
Agora imaginemos uma banda inteira! Se todos meterem o seu cunho, se todos interpretarem com o mesmo sentimento que compuseram as suas linhas instrumentais/vocais.
Todo um conjunto de sentimentos numa só música.
Toda uma sonoridade trabalhada para que ao vivo o feeling esteja lá.
Todo um trabalho para que numa gravação a banda soe àquilo que é, só que melhor ainda!
__________________
Dinâmicas pessoal... dinâmicas!
knk não está cá agora...   Citar esta Mensagem
Não lido Sáb, 27 de Dezembro de 2014   #2
serrinha
 
Membro desde: 28-Out-2007
Local: Valença
Mensagens: 1.841
serrinha é uma jóia em brutoserrinha é uma jóia em brutoserrinha é uma jóia em bruto
Re: Compor, ensaiar, tocar, gravar, interpretar... que ordem?

Por isso mesmo é que eu, principalmente no Rock, gosto de um som mais "cru", mais verdadeiro.

Se gosto de misturar sons e efeitos? Gosto, mas desde que possamos reproduzi-los da mesma forma ao vivo, seja com instrumentos de percussão, novos sons no teclado, nas guitarras, etc...

Estamos na era digital, tem coisas boas, mas também tem os seus contras...

Até parece que já não se dá valor ao trabalho realizado no ensaio, na criação da letra e das suas linhas melódicas, harmónicas e rítmicas...

É como tu dizes, é só por vst's e logo se vê...
__________________
"Que a música vos companhe!"
serrinha não está cá agora...   Citar esta Mensagem
Não lido Seg, 5 de Janeiro de 2015   #3
Gonxalo
 
Membro desde: 25-Dez-2007
Local: evora
Mensagens: 153
Gonxalo está no bom caminho
Re: Compor, ensaiar, tocar, gravar, interpretar... que ordem?

Concordo totalmente com o que disseste knk!
Eu com a minha banda fazemos e sempre fizemos deste modo: nos ensaios é que criamos as musicas, depois vai-se aperfeiçoando com o tempo. E na minha opinião também para isso é que servem os ensaios.

A mim dá-me muito mais gozo estar a tocar com um guitarrista, um baixista, etc, seja quem for.... do que passar horas a fazer solos na bateria, isso para mim tem muito pouco valor. A musica num todo, sim é magnifica, e poder partilha-la com mais músicos é muito melhor.

E também partilho exactamente da mesma opinião do serrinha em relação ao som. Continuo a gostar muito mais de ouvir bandas com um som mais "natural" e não com demasiada electrónica em cima. Claro que isto já é questão de gostos, cada um tem o seu, mas para mim continuo a preferir ouvir uma bateria soar mais natural, e não tão "mecanizada", em que estou a ouvir a musica gravada e a bateria parece que foi tocada num teclado ou num computador.
Gosto das bandas que ainda gravam álbuns, (usando a expressão ali do serrinha), mais "crus", em que está bateria, baixo, guitarra, e voz, e tudo foi gravado com o seu som próprio sem grandes efeitos. Claro que também sei apreciar e gosto de certas misturas com algo que seja electrónico e tenha efeitos, mas lá está, dou valor ao que depois possa ser realmente tocado ao vivo pelos músicos, e não que seja tudo trabalho do técnico de som.
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I live for music!!
Gonxalo não está cá agora...   Citar esta Mensagem
Não lido Seg, 5 de Janeiro de 2015   #4
knk
 
Membro desde: 30-Mai-2006
Local: Santarém
Mensagens: 176
knk será famoso em breveknk será famoso em breve
Re: Compor, ensaiar, tocar, gravar, interpretar... que ordem?

O problema é que aquilo que nós (músicos) gostamos de ouvir não é aquilo que vende.
Se nos EUA há mercado para aquilo que vende "menos", e pode até com alguma sorte dar para sobreviver da música, em Portugal isto não acontece.
Das centenas de músicos que já conheci na vida, pouco mais de uma dezena tem a sorte de ainda dizer "toco aquilo que é meu, que gosto, e ganho razoavelmente". E infelizmente metade deles são da área do Pimba, e só dizem esta frase porque fazem pimba, gostam de pimba, e o pimba ainda dá algum nos milhares de festas e romarias.
As restantes centenas ou toca aquilo que não gosta a troco dos euros, ou toca o que é dos outros a troco dos euros, ou vive à custa dos papás e diz que toca o que gosta mas abdica do guito... porque convenhamos, com a aposta cada vez mais mediocre na cultura em PT, o amor à camisola raramente vai dar frutos.

A realidade actual no nosso país é que um Festival de Bandas em «Tran******* da Serra» (ficticio) mete 50 pessoas lá, mas se forem as mesmas bandas tocar no mesmo sitio mas com o nome "I Festival do Caracol e da Fruta Cristalizada" mete 500...

Querem outra espectacular???
Perguntem a alguém, ou mesmo a vocês próprios, porque é que as rádios e tv's não apostam mais na música portuguesa? Se há música tão boa feita por portugueses, em Portugal, porquê!?
Depois consultem a lista de MP3, não aquela geral com 200.000 musicas, mas aquela que têm no bolso pronta a disparar nos ouvidos e vamos lá ver quantas portuguesas lá estão...
Aí está a resposta.
Somos uns moralistas do cacete mas mamamos tudo o que nos chega de fora porque é "muita bom" e "melhor do que cá"...

Pois claro que é! É o ciclo económico!!!
Há mais procura, mais consumo, mais investimento, mais retorno, mais variedade, mais qualidade... e um músico precisa de tempo e dinheiro para se dedicar à sua arte a como profissão e desta forma corresponder à exigência do público.

Desculpem os desabafos em série. Mas é como vejo isto de há uns anos para cá, e sempre downhill.
__________________
Dinâmicas pessoal... dinâmicas!
knk não está cá agora...   Citar esta Mensagem
Não lido Qua, 14 de Janeiro de 2015   #5
Ricardo Pereira
 
Membro desde: 16-Mai-2008
Local: Caminha/Viana do Castelo
Mensagens: 165
Ricardo Pereira está no bom caminho
Re: Compor, ensaiar, tocar, gravar, interpretar... que ordem?

Knk só tenho uma coisa a dizer: és o maior! Concordo plenamente e a 100% com tudo aquilo que disseste e partilho dessa mesma "preocupação" que é se isto continuar assim, onde vamos parar?
__________________
-Quanto mais me bates mais eu gosto de ti.

Ex baring
Ricardo Pereira não está cá agora...   Citar esta Mensagem
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